Fomitiporia apiahyna - O fungo que empresta o nome de Apiaí.

 

Fomitiporia apiahyna

Muitas áreas da ecologia tem vasto campo de estudo e muitas publicações, a botânica, zoologia, entomologia, ornitologia e por aí vai.

No reino Fungi houve grandes estudos no século 19 e depois disso algumas publicações.

No reinado de D. Pedro II, em decorrência da falta de escolas superiores e de profissionais especializados, técnicos estrangeiros foram convidados a atuar no país, em diversas áreas do conhecimento, e assim, aos poucos, os saberes desses estrangeiros eram transferidos para estudiosos, coletores e técnicos brasileiros. Exemplos disso são Glaziou e Juan Ignácio Puiggari, que não só coletaram muitos fungos macroscópicos como se dedicaram ao estudo da sua sistemática.

Em 1877 chegava em Apiaí o médico Juan Ignacio Puiggari, diferente de outros estudiosos da época que via de regra enviavam o material coletado no Brasil para europa, Puiggari manteve contato com Carlos Luiz Spegazzini que se estabeleceu na Argentina, para onde muito material coletado aqui foi enviado (Herbário de Spegazzini depositado no Museu C. Spegazzini, La Plata).

Entre as espécies descobertas por Puiggari, constam: Stropharia apiahyna, Fomitiporia apiahyna e diversas mais.

Nos "ANNAES DA PRIMEIRA REUNIÃO DE PHYTOPATHOLOGISTAS DO BRASIL - Promovida pelo Instituto de Biologia Vegetal do Ministério da Agricultura, e realizada de 20 a 25 de Janeiro de 1936 na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, sob o alto patrocínio de S. Ex. o Snr. Ministro da Agricultura Dr. Odilon Braga."
Apresentam-o assim:

"JUAN IGNACIO PUIGGARI foi um dos grandes colleccionadores das plantas cryptogamicas brasileiras; medico pela Universidade de Barcelona, veiu para o Brasil em 1877, fixando-se por muito tempo, isto é, até 1892, em Apiahy, pequena localidade perdida no meio das mattas do sul do Estado de S. Paulo. Alli realizou elle todas as suas colheitas, vivendo exclusivamente dedicado á sua sciencia predilecta, sem outra ambição senão estudar as plantas inferiores que collectava nos seus constantes passeios em redor de Apiahy. — 21 — irará dar uma idéia da operosidade desse tão preclaro quanto humilde sábio, de estatura diminuta, corpo franzino, — pelo menos assim amda o vejo, bem velhinho, quando éramos companheiros de trabalho na Secção Botânica da Commissão Geographica e Geológica do Estado de S. Paulo, onde o tinha feito ingressar o respectivo chefe ALBERTO LOEFGREN para mostrar, repito, a operosidade desse benemérito pioneiro do estudo dos nossos cryptogamos, basta lembrar que, relativamente aos fungos, SPEGAZZINI na sua obra "Fungi Puiggariani" relata cerca de 500 espécies, entre as quaes, innumeras foram consideradas novas para a sciencia.

Mas, como vimos, não se limitava aos fungos o interesse de PUIGGARI, pois que abrangia todos os cryptogamos e, por exemplo, os lichens e os musgos por elle colligidos, occuparam muitos illustres especialistas europeus, com os quaes se correspondia e permutava exemplares de herbário.
Entre elles citarei: HAMPE, BROTERIUS, MüLLER D'ARGOVIE, HILDEERAND, DUBY, etc. PUIGGARI findou-se em São Paulo em 1900 na idade de 77 annos.
Ignoro em que museus se encontram actualmente os typos e cotypos do material colhido por PUIGGARI e por elle mandado aos seus corresponentes; a não ser parte dos seus fungos, que talvez se encontram no Museu Spegazzini em La Plata (Argentina); porém, para os que isso possa interessar, tenho prazer em communicar que no meu herbário particular possuo, não somente exemplares de fungos a mim offerecidos ha muitos annos, pelo meu fallecido amigo Dr. Ignacio Puiggari Filho, mas que também comprei da Exma. Sra. viuva PUIGGARI O que ainda existia, ou foi possível salvar, das collecções PUIGGARI damnificadas pela falta de conservação adequada, mas que, assim mesmo, representa material scientifico valiosissimo."

 


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Foto: Revista Mex. Biodiv. vol.83 no.2 México jun. 2012

 

Galha na folha de Melastomataceae

 

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Outros nomes: Galhas, bugalhos, cecídios ou cecídias.

São estruturas que se originam em determinado órgão de uma planta através de hipertrofia e hiperplasia (Anatomia vegetal) de tecidos, inibição do desenvolvimento ou modificação citológica e/ou histoquímica em resposta ao ataque de organismos indutores que podem ser vírus, bactérias, fungos, nematódios, ácaros ou insetos - parasitas, geralmente específicos à espécie (ou ao gênero ou família) da planta. São estruturas às vezes comparadas a tumores.

Galhadores são altamente específicos ao órgão e hospedeiro, ou seja, eles induzem galhas em apenas uma espécie ou um grupo muito pequeno de espécies de hospedeiros. Plantas da família Melastomataceae (folha mostrada na foto) com frequência são alvo de insetos coleópteros, dípteros, hemípteros, himenópteros, homópteros, lepidópteros e tisanópteros.

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